Hipotensão intraoperatória em cães e gatos: causas e conduta
A PAM caiu para 52. O reflexo é abrir o soro. Mas e se o paciente estiver profundo demais, bradicárdico, ou se o monitor estiver lendo errado? A hipotensão é a complicação mais comum da anestesia em cães e gatos — e a resposta automática nem sempre é a certa. Este texto percorre o que conta como hipotensão, com que frequência ela aparece, por que acontece, quando a medida engana e a conduta por etapas, com a evidência de cada uma.
Resumo
- Definição (AAHA 2020): sistólica < 80–90 mmHg, média < 60–70 mmHg ou diastólica < 40 mmHg. Em gatos, a AAFP sugere sistólica < 90 e média < 60 mmHg.
- É frequente: 37,9% de 1.281 anestesias em cães; 22,6% de gatos saudáveis em castração. Acepromazina, dose alta de inalatório, anestesia longa, baixo peso e cirurgia abdominal aumentam o risco.
- Pressão = débito cardíaco × resistência vascular. Antes de tratar, pergunte qual dos quatro mecanismos está em jogo: vasodilatação, bradicardia, baixo volume ou depressão do miocárdio.
- Primeiro passo: o vaporizador. Em cães profundos com isoflurano, 80 mL/kg de Ringer não corrigiram a pressão; reduzir o isoflurano, sim. Anestesia balanceada poupa inalatório.
- Bradicárdico e hipotenso? Anticolinérgico ou efedrina — exceto se a bradicardia for do α2-agonista.
- Fluido funciona em quem responde a volume: 70–76% dos cães hipotensos em cirurgia responderam a 5–15 mL/kg. A variação de pressão de pulso (VPP) ajuda a prever quem vai responder.
- Se persistir: dopamina 7–10 µg/kg/min ou noradrenalina; a efedrina tem efeito curto. E desconfie do número: o oscilométrico erra mais justamente na hipotensão.
O que conta como hipotensão
As diretrizes de anestesia e monitoração da AAHA de 2020 definem hipotensão como pressão arterial sistólica abaixo de 80–90 mmHg, média abaixo de 60–70 mmHg ou diastólica abaixo de 40 mmHg. As diretrizes de anestesia felina da AAFP (2018) sugerem, para gatos, sistólica abaixo de 90 mmHg e média abaixo de 60 mmHg, e lembram que a hipotensão é comum mesmo em gatos saudáveis em procedimentos curtos. Na prática dos especialistas, o número é parecido: numa pesquisa com 151 diplomados dos colégios americano e europeu de anestesiologia veterinária, a definição média foi PAM abaixo de 62 ± 4 mmHg ou sistólica abaixo de 87 ± 8 mmHg, e o tratamento começava por volta de PAM 61 ou sistólica 85 mmHg.
O motivo dos limites em torno de 60 mmHg de PAM é clássico: abaixo disso, a capacidade de órgãos como rim e cérebro manterem o próprio fluxo (autorregulação) fica comprometida — o que segue o ensino de fisiologia mais que um estudo veterinário específico. As diretrizes de monitoração da ACVAA de 2025 substituíram as de 2009 e ampliaram a seção de monitoração da circulação.
Isso faz diferença no desfecho?
A evidência veterinária é observacional, mas aponta na mesma direção. Em 50 cães de clínica, 76% tiveram PAM abaixo de 60 mmHg, e a elevação de um marcador urinário de lesão tubular (GGT urinária/creatinina) após a anestesia, vista em 82% dos cães, foi explicada em 62% pela PAM mais baixa somada ao tempo abaixo de 50 mmHg. Em galgos mantidos experimentalmente com PAM abaixo de 40 mmHg por 60 minutos, houve dano tubular à histologia e elevação precoce de biomarcadores — com a creatinina ainda normal. Em cirurgias de risco, como colecistectomia por mucocele e cirurgia abdominal de emergência, a hipotensão intraoperatória se associou a maior mortalidade.
Em humanos, os dados são mais robustos. Em 33.330 cirurgias não cardíacas, o risco de lesão renal aguda e de lesão miocárdica aumentou com PAM abaixo de 55 mmHg, e cresceu com o tempo de exposição; outro estudo grande mostrou o mesmo com PAM abaixo de 65 mmHg. Uma revisão recente nota que ensaios com mais de 13 mil pacientes não mostraram vantagem em mirar pressões mais altas que cerca de 65 mmHg. A tradução para cães e gatos é limitada, mas o recado é razoável: profundidade e duração da hipotensão importam.
Com que frequência acontece e quem está em risco
| Estudo | População | Hipotensão |
|---|---|---|
| Redondo et al., 2007 | 1.281 anestesias em cães (retrospectivo) | 37,9% |
| Gaynor et al., 1999 | 2.556 cães e 683 gatos, hospital-escola | 7% dos cães e 8,5% dos gatos |
| Brown e Murison, 2024 | 1.019 gatos saudáveis em castração | 22,6% (a complicação mais comum) |
| Iizuka et al., 2013 | Cães, PAM < 60 por mais de 5 min | 65,3% com isoflurano-fentanil × 27,6% com propofol-fentanil |
| Costa et al., 2015 | Cães jovens em castração eletiva, pressão invasiva | 49% e 71% em duas coortes |
| Mignini et al., 2026 | 390 cães, PAM ≤ 60 em 3 leituras seguidas | 18,5% |
A variação enorme reflete definição, método de medida e população — com pressão invasiva e definição rígida, a hipotensão aparece em metade dos cães jovens saudáveis. Os fatores de risco que se repetem:
- Acepromazina: em 341 cadelas em ovário-histerectomia, a chance de hipotensão foi 2,61 vezes maior com acepromazina que com dexmedetomidina na pré-medicação, com hipotensão mais precoce, mais longa e mais uso de dopamina. Em gatos, a acepromazina também foi fator de risco, e a AAFP alerta que ela pode tornar a hipotensão mais difícil de tratar.
- Dose de inalatório e tempo de anestesia: isoflurano máximo mais alto e anestesia mais longa em gatos; anestesia com isoflurano mais hipotensora que a intravenosa com propofol em cães.
- Baixo peso e pouca idade: cães e gatos menores e cães com menos de 12 meses tiveram mais hipotensão; em cães jovens, densidade urinária mais baixa se associou a PAM mais baixa, sugerindo desidratação subclínica.
- Cirurgia abdominal (OR 5,56 no estudo de 390 cães) e epidural com anestésico local, cuja hipotensão variou com o volume usado.
Por que a pressão cai: os quatro mecanismos
A pressão arterial é o produto do débito cardíaco pela resistência vascular sistêmica, e o débito é o produto da frequência cardíaca pelo volume sistólico. Uma revisão recente em anestesia humana organiza a hipotensão intraoperatória em quatro "endotipos" — e essa divisão serve muito bem para cães e gatos, porque cada um pede uma resposta diferente:
| Mecanismo | Causas típicas na anestesia | Resposta mais lógica |
|---|---|---|
| Vasodilatação | Inalatório em dose alta, acepromazina, propofol, epidural com anestésico local, sepse | Reduzir o inalatório; anestesia balanceada; vasoconstritor se persistir |
| Bradicardia | Opioides, α2-agonistas, reflexos vagais, hipotermia, hipercalemia | Anticolinérgico (exceto α2), interromper o estímulo vagal, reverter fármaco |
| Baixo volume (pré-carga) | Desidratação, hemorragia, jejum, ventilação com pressão positiva | Prova de fluido, de preferência guiada por índice dinâmico |
| Depressão do miocárdio | Inalatório em dose alta, cardiopatia, acidose, hipotermia | Reduzir o inalatório; inotrópico (dopamina, dobutamina) |
O inalatório aparece em duas linhas, e não por acaso. Em cães, o sevoflurano reduziu de forma progressiva a resistência vascular e as pressões sistólica, média e diastólica entre 1 e 2 CAM, com queda discreta do volume sistólico — com efeitos semelhantes aos do isoflurano. É o motivo de quase toda conduta começar pelo vaporizador.
Antes de tratar: o número está certo?
O oscilométrico é o método mais usado, e é justamente na hipotensão que ele mais erra — geralmente para cima, o que faz a hipotensão passar despercebida.
- Em cães com hipotensão por hemorragia (PAM invasiva em torno de 40 mmHg), um monitor oscilométrico superestimou a PAM em 24 mmHg e a sistólica em 32 mmHg.
- Em 40 cães, a PAM oscilométrica acertou em média, mas com limites de concordância largos: usar o corte de 60 mmHg detectou só 40% das hipotensões reais; com 70 mmHg, a sensibilidade subiu para 68%.
- O Doppler em cães teve viés médio pequeno (2,8 mmHg), mas limites de −46 a +52 mmHg, e detectou a hipotensão em só 67–69% dos casos.
- Em gatos, o Doppler subestimou a sistólica (cerca de 9 a 14 mmHg em dois estudos) e não serve para estimar a PAM; três monitores oscilométricos veterinários tiveram limites de concordância de cerca de ±40 mmHg, enquanto um monitor específico teve PAM aceitável.
O que fazer com isso: manguito com largura de 30 a 40% da circunferência do membro, na altura da base do coração (o consenso da ACVIM corrige 0,8 mmHg por centímetro de diferença de altura); valorizar a tendência mais que a leitura isolada; repetir a medida que destoa; e, em gatos, lembrar que o Doppler dá a sistólica, não a média. Um estudo sugere que, com o oscilométrico, um alvo de PAM de 70 mmHg protege melhor que o de 60. Em pacientes instáveis ou de alto risco, a pressão invasiva é o padrão.
Conduta por etapas
A AAHA de 2020 e as diretrizes de fluidoterapia da AAHA de 2024 seguem a mesma ordem: ajustar a anestesia, corrigir a frequência, dar volume com critério e, se persistir, usar fármacos vasoativos.
1. Reduza o inalatório — e substitua por analgesia
As diretrizes de fluidoterapia de 2024 começam pelo vaporizador: pequenas reduções podem ter efeito importante na pressão. O experimento que melhor ilustra isso foi feito em cães saudáveis com isoflurano expirado de 3%: 1 mL/kg/min de cristaloide por 45 minutos não melhorou pressão, débito nem volume sistólico — só diluiu o sangue. A pressão voltou quando o isoflurano expirado caiu para 1,6%.
Para reduzir o inalatório sem superficializar o paciente, a AAHA recomenda técnicas balanceadas: mais opioide, bloqueio locorregional ou infusões. Em cães, a infusão de morfina, lidocaína e cetamina (MLK) reduziu a CAM do isoflurano em 45% sem efeitos hemodinâmicos adversos; com fentanil no lugar da morfina, a redução clínica chegou a 97%. Em gatos, há um porém: a lidocaína reduziu a necessidade de isoflurano, mas com mais depressão cardiovascular que uma dose equivalente do próprio isoflurano, e os autores não a recomendam para esse fim. A anestesia intravenosa com propofol e fentanil teve menos hipotensão que isoflurano e fentanil em cães (27,6% × 65,3%).
2. Olhe a frequência cardíaca
Se o paciente está hipotenso e bradicárdico, a AAHA recomenda anticolinérgico (atropina ou glicopirrolato) ou efedrina. A evidência apoia: em cães com fentanil, a redução de CAM só trouxe ganho cardiovascular quando a bradicardia foi prevenida com glicopirrolato (FC, PAM e índice cardíaco subiram); em cães com FC entre 65 e 85 bpm, glicopirrolato 0,01 mg/kg IV elevou as pressões sistólica, média e diastólica. Cães pequenos (até 10 kg) precisaram repetir a dose com mais frequência.
A exceção é a bradicardia do α2-agonista. Com dexmedetomidina, a atropina elevou a pressão, mas não melhorou o débito cardíaco e provocou arritmias; dada antes, piorou e prolongou a hipertensão. Os detalhes — incluindo a fase paradoxal da atropina — estão em Arritmias no ECG durante a anestesia.
3. Fluido: para quem responde a volume
As doses de referência são da AAHA 2020: bolus de cristaloide de 5 a 20 mL/kg, conforme a necessidade, e/ou coloide de 1 a 5 mL/kg; a AAFP sugere 5 a 15 mL/kg de cristaloide em gatos. As diretrizes de fluidoterapia de 2024 fazem duas ressalvas: nem toda hipotensão se corrige com fluido, e acima de 20 mL/kg numa mesma anestesia é preciso reavaliar. Em doença renal avançada (IRIS 3–4), não se deve tentar corrigir a hipotensão com taxas excessivas de fluido. A taxa de manutenção de partida é de 5 mL/kg/h em cães e 3–5 mL/kg/h em gatos.
Por que o fluido às vezes não funciona? Porque o mecanismo da hipotensão não era volume. Em cães saudáveis com hipotensão por isoflurano, até 80 mL/kg de Ringer lactato não elevaram a pressão sistólica em nenhum cão (o hidroxietilamido elevou em 4 de 6). Com acepromazina, 20 mL/kg de Ringer não aumentaram o débito e chegaram a piorar a hipotensão no início; a acepromazina atenuou o efeito de todos os tratamentos testados.
Na clínica, o cenário é outro: em cães hipotensos em cirurgia ortopédica, 76% aumentaram o débito em pelo menos 15% com 15 mL/kg de Ringer em 15 minutos; em outro estudo, 70% responderam a 5 mL/kg. E dá para prever quem responde: em cães sob ventilação mecânica, a variação de pressão de pulso (VPP) acima de cerca de 15% identificou os respondedores com especificidade de 96 a 100%, muito melhor que a pressão venosa central. Uma metanálise recente confirmou a boa acurácia da VPP (sensibilidade 0,88, especificidade 0,97) e, um pouco menor, do índice de variabilidade pletismográfica (PVI) — com a ressalva de alto risco de viés nos estudos. A VPP só vale com ventilação controlada e tórax fechado.
4. Se persistir: inotrópico ou vasopressor
A AAHA orienta inotrópico quando o problema é contratilidade e vasoconstritor quando é vasodilatação excessiva. As doses da tabela vêm da figura de suporte pressórico das diretrizes de 2020; a coluna de evidência resume os estudos em cães e gatos anestesiados.
| Fármaco (AAHA 2020, IV) | Ação | O que os estudos mostram |
|---|---|---|
| Efedrina 0,1–0,2 mg/kg em bolus | Inotrópico e vasoconstritor indireto; taquifilaxia | Cães: aumentou débito e oferta de O₂, mas a PAM subiu por menos de 5 min; segundo bolus não acrescentou. Em cães, a FC caiu após efedrina IV, e a atropina prévia aumentou a chance de atingir PAM > 70; em gatos, não |
| Dopamina 1–15 µg/kg/min | Inotrópico (vasoconstritor em doses maiores) | Cães: sem efeito a 5 µg/kg/min; eficaz a 7–10 µg/kg/min (7 sugerido como dose-guia). Gatos: a mais útil entre quatro fármacos; elevou pressão e débito em gatos com cardiomiopatia hipertrófica |
| Dobutamina 1–10 µg/kg/min | Inotrópico | Cães: aumentou o débito com pouca mudança na pressão. Gatos: não elevou a PAM |
| Noradrenalina 0,05–0,3 µg/kg/min | Principalmente vasoconstritor | Cães: elevou PAM, débito e oferta de O₂ de forma dose-dependente; foi o único a atingir a meta em hipotensão grave por isoflurano (média de 0,44 µg/kg/min) |
| Fenilefrina 0,3–1 µg/kg/min ou 1–3 µg/kg em bolus | Vasoconstritor | Cães com acepromazina: elevou a PAM tanto quanto a noradrenalina, mas reduzindo o débito. Gatos: elevou a pressão sem aumentar o débito |
Dois pontos práticos. A efedrina é ótima para "ganhar tempo" enquanto se ajusta o plano, mas não sustenta a pressão sozinha. E o vasoconstritor puro (fenilefrina) sobe o número às custas do débito — útil quando o problema é vasodilatação, ruim quando o coração já está deprimido. Na dúvida sobre o mecanismo, dopamina e noradrenalina têm a melhor relação entre pressão e débito nos estudos citados.
5. Se nada funcionar
A AAHA lista o que procurar quando a hipotensão persiste: hipoglicemia, hipotermia, anemia ou hipoproteinemia e distúrbios eletrolíticos. Vale acrescentar o que a própria cirurgia pode estar fazendo — hemorragia não vista, compressão da veia cava, tração de vísceras —, e conversar com o cirurgião. A AAFP, para gatos, sugere considerar encerrar a anestesia se não houver resposta.
Na rotina: um roteiro diante da PAM baixa
- Confirme o número: manguito do tamanho certo, membro na altura do coração, medida repetida, tendência. Pulso, mucosas e curva do oxímetro concordam?
- Olhe o vaporizador e o plano: o paciente está mais profundo do que precisa? Reduza e reforce a analgesia.
- Olhe a frequência: bradicárdico? Anticolinérgico — a menos que seja α2-agonista.
- Pense em volume: jejum, desidratação, sangramento, cirurgia abdominal. Se ventilado, a VPP ajuda a decidir. Prova de 5–15 mL/kg e reavaliação.
- Persistiu: efedrina para ganhar tempo; dopamina ou noradrenalina em infusão.
- Anote tudo: valor, hora, o que foi feito e a resposta. A pressão anotada a cada 5 minutos é o que permite saber quanto tempo o paciente ficou hipotenso — e o tempo, pelo que os estudos mostram, também importa.
Conclusão
A hipotensão é tão comum que corre o risco de ser tratada no automático — e o automático costuma ser o soro. A evidência mostra que a ordem importa: primeiro confirmar que o número é real, depois reduzir o inalatório e reforçar a analgesia, corrigir a bradicardia (com o cuidado do α2-agonista), dar volume a quem responde a volume e, só então, recorrer a vasoativos escolhidos pelo mecanismo. Profundidade e duração da hipotensão parecem pesar no rim e no desfecho — o que faz da monitoração contínua, e do registro dela, parte do tratamento.
Perguntas frequentes
Qual pressão é considerada hipotensão na anestesia de cães e gatos?
Para a AAHA (2020): sistólica abaixo de 80–90 mmHg, média abaixo de 60–70 mmHg ou diastólica abaixo de 40 mmHg. Para gatos, a AAFP (2018) sugere sistólica abaixo de 90 e média abaixo de 60 mmHg. Numa pesquisa com 151 especialistas, a definição média foi PAM abaixo de 62 ou sistólica abaixo de 87 mmHg.
Fazer bolus de soro resolve a hipotensão na anestesia?
Nem sempre. Em cães profundos com isoflurano, até 80 mL/kg de Ringer não elevaram a pressão sistólica; reduzir o isoflurano, sim. Com acepromazina, 20 mL/kg chegaram a piorar a hipotensão no início. Em cães hipotensos na clínica, 70 a 76% responderam a 5–15 mL/kg. Reduza o inalatório primeiro e dê volume a quem tem indício de responder a volume.
Dopamina, efedrina ou noradrenalina: qual usar na hipotensão anestésica?
Depende do mecanismo. Em cães, a efedrina 0,2 mg/kg elevou a PAM por menos de 5 minutos; a dopamina foi eficaz a 7–10 µg/kg/min; a dobutamina elevou o débito sem corrigir bem a pressão; e, em hipotensão grave por isoflurano, só a noradrenalina atingiu a meta. Em gatos, a dopamina elevou pressão e débito, e a fenilefrina, só a pressão.
O monitor oscilométrico é confiável quando a pressão está baixa?
É quando mais erra. Em cães com hipotensão por hemorragia, superestimou a PAM em 24 mmHg; em outro estudo, a PAM oscilométrica abaixo de 60 detectou só 40% das hipotensões reais (68% com o corte de 70). Manguito de 30 a 40% da circunferência do membro, atenção à tendência e, nos pacientes de risco, pressão invasiva.
Atropina ajuda na hipotensão durante a anestesia?
Quando há bradicardia que não foi causada por α2-agonista, sim: a AAHA recomenda anticolinérgico ou efedrina no paciente hipotenso e bradicárdico, e em cães com fentanil o ganho cardiovascular só veio com a correção da bradicardia. Com dexmedetomidina, a atropina eleva a pressão sem melhorar o débito e provoca arritmias.
A hipotensão durante a anestesia causa lesão renal em cães?
Há sinais de que pode contribuir: em cães de clínica, a elevação de um marcador urinário de lesão tubular foi explicada em boa parte pela PAM mais baixa e pelo tempo abaixo de 50 mmHg, e na hipotensão grave experimental houve dano tubular com creatinina normal. São estudos observacionais ou experimentais; em humanos, a associação com lesão renal e miocárdica, proporcional ao tempo, está bem documentada.
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A ficha que avisa a PAM baixa — e lembra a conduta
No EasyVet, quando a PAM registrada fica abaixo de 65 mmHg (ou a sistólica sai da faixa esperada para a espécie), a ficha anestésica sinaliza o valor e sugere a sequência: reduzir o vaporizador, bolus de 5–20 mL/kg, anticolinérgico se bradicárdico, inotrópico ou vasopressor se persistir. Cada medida fica no tempo, ao lado do vaporizador, das infusões e da frequência — o que deixa ver quanto tempo o paciente ficou hipotenso e o que funcionou. Teste grátis por 30 dias, sem cartão de crédito.
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