9 de julho de 2026 · Cálculos · Leitura de 7 min

Cálculo de infusão contínua (TIVA) na prática

A infusão contínua (CRI, do inglês constant rate infusion) mantém uma concentração plasmática estável do fármaco, evitando os picos e vales dos bólus repetidos. É a base da TIVA (anestesia intravenosa total) e da analgesia transoperatória. O desafio para muita gente não é a farmacologia — é converter a dose prescrita em mL/h na bomba sem errar uma casa decimal.

O ponto de confusão: três unidades diferentes

A dificuldade vem de a dose, a concentração e a bomba falarem "línguas" diferentes:

Calcular a CRI é só encadear essas conversões na ordem certa.

A fórmula geral

mL/h = (dose × peso × 60) ÷ concentração

Onde a dose está em massa/kg/min, o peso em kg, o 60 converte minutos em hora, e a concentração está na mesma unidade de massa por mL. A regra de ouro: antes de dividir, alinhe as unidades de massa (tudo em µg, ou tudo em mg). É aí que 90% dos erros acontecem.

Exemplo passo a passo

Paciente de 10 kg. Prescrição: fármaco a 5 µg/kg/min. Solução disponível: concentração de 50 µg/mL (já diluída). Qual a velocidade da bomba?

  1. Dose por minuto do paciente: 5 µg/kg/min × 10 kg = 50 µg/min.
  2. Dose por hora: 50 µg/min × 60 = 3.000 µg/h.
  3. Converter em volume pela concentração: 3.000 µg/h ÷ 50 µg/mL = 60 mL/h.

Programe a bomba em 60 mL/h. Repare que todas as massas estavam em µg — se a concentração viesse em mg/mL, seria preciso convertê-la antes (1 mg = 1.000 µg).

Preparando a diluição

Muitas vezes você define a concentração da bolsa/seringa para que a velocidade caia num número "redondo" e fácil de ajustar. O caminho é o inverso do cálculo acima: escolha a velocidade-alvo confortável, e calcule quantos mg do fármaco adicionar ao volume do diluente para que a dose bata. Deixar a bomba trabalhando entre 1 e 10 mL/h costuma dar boa precisão sem esvaziar a seringa rápido demais.

Segurança: os valores acima são um exemplo aritmético, não uma recomendação de dose. Doses de CRI variam por fármaco, espécie, objetivo (analgesia vs. hipnose) e estado do paciente. Confira sempre em referência atualizada e recalcule para o peso real. Toda diluição deve ser conferida por uma segunda pessoa quando possível.

Erros que mais aparecem

Por que automatizar o cálculo

A conta é simples, mas é feita sob pressão, com o paciente já anestesiado, e um deslize de casa decimal tem consequência clínica direta. Fazer o cálculo à mão em papel, no meio da sala cirúrgica, é justamente o cenário de maior risco. Um sistema que recebe dose, peso e concentração e devolve a velocidade em mL/h — e que ainda registra cada ajuste automaticamente na ficha — remove a aritmética manual do caminho crítico e deixa rastro de tudo que foi infundido.

Deixe o cálculo de CRI com o EasyVet

Informe dose, peso e concentração; o sistema calcula a velocidade da bomba e registra cada infusão na ficha anestésica, com a linha do tempo do procedimento. Teste grátis por 30 dias, sem cartão de crédito.

Começar teste grátis