22 de julho de 2026 · Ficha anestésica · Leitura de 6 min · Por Dr. Anderson Eberhardt Assumpção (CRMV-SC 7179)

A ficha anestésica que não só alerta — diz o que fazer

Um monitor apitando e um número piscando em vermelho não ajudam quem está de mãos ocupadas no meio do procedimento. O problema quase nunca é ver que a PAM caiu — é lembrar, na hora, qual é a resposta correta. A ficha anestésica do EasyVet foi pensada para fechar essa lacuna: quando um parâmetro sai da faixa, ela mostra também a conduta sugerida, com base nas diretrizes de anestesia e monitoração da AAHA.

Resumo

  • O alerta não para em "valor fora de faixa": ele exibe uma conduta sugerida para aquele desvio específico.
  • As faixas de ETCO₂, SpO₂, PAM, frequência cardíaca (por espécie/peso) e temperatura seguem referências da AAHA 2020.
  • A conduta é apoio à decisão, não substitui o julgamento do anestesista responsável.
  • Na mesma ficha: checklist de segurança pré-anestésico e escore de dor pós-operatório (escala CSU).
  • Tudo fica registrado e sai no PDF do registro anestésico do paciente.

O problema do alerta que só pisca

A maioria dos registros — de papel ou digital — trata o valor fora de faixa como um evento passivo: marca, colore, e para por aí. Isso funciona para quem tem a conduta na ponta da língua, mas o centro cirúrgico raramente é esse cenário. Plantões cansados, equipe em formação, dois procedimentos ao mesmo tempo: é nesses momentos que a distância entre "notar o desvio" e "saber o que fazer" custa segundos preciosos.

Padronizar a resposta a desvios é justamente uma das recomendações centrais das boas práticas de monitoração anestésica. O ganho não é só velocidade: é reduzir a variação entre quem está de plantão.

Alerta com conduta: como funciona na prática

Quando um parâmetro registrado sai da faixa esperada, a ficha destaca o valor e apresenta a conduta correspondente àquele desvio. Não é um alarme genérico — é a orientação ligada ao problema específico, disponível no mesmo lugar em que você já está olhando.

ParâmetroFaixa de referênciaExemplo de conduta sugerida ao desvio
ETCO₂35–45 mmHgValor alto: reavaliar ventilação/frequência; valor baixo: checar hiperventilação, hipotermia ou queda de débito.
SpO₂≥ 94%Verificar via aérea, FiO₂ e posicionamento do sensor; considerar suporte de oxigênio.
PAM≥ 65 mmHgReavaliar plano anestésico (profundidade), volemia e necessidade de suporte hemodinâmico.
Freq. cardíacaPor espécie e pesoBradicardia/taquicardia: revisar profundidade, dor, volemia e fármacos em curso.
Temperatura37,2–39,3 °CHipotermia: aquecimento ativo desde o início; reavaliar se prolonga a recuperação.
Referência das faixas e condutas: AAHA. 2020 Anesthesia and Monitoring Guidelines for Dogs and Cats.
Importante: os exemplos de conduta acima são apoio à decisão baseado em diretrizes, não prescrição. Faixas de referência e respostas dependem da espécie, do porte, do estado físico do paciente e do procedimento — a decisão final é sempre do médico-veterinário responsável.

Segurança começa antes do primeiro fármaco

Grande parte dos incidentes anestésicos tem origem em etapas que antecedem a indução — jejum, via aérea, equipamentos, acesso venoso. Por isso a ficha abre com um checklist de segurança pré-anestésico: itens objetivos que a equipe confere e marca antes de começar, no mesmo registro onde tudo o mais vai acontecer. É a versão veterinária da lógica de checklist que já é padrão na medicina humana.

A dor também entra na ficha — com escala validada

Na fase de recuperação, a ficha traz o escore de dor pela escala de dor aguda da Colorado State University (CSU), para cães e gatos. Cada pontuação vira um ponto na linha do tempo do paciente, com o limiar de resgate configurado — para a equipe ver a evolução da dor e agir antes de o quadro escalar, em vez de descobrir tarde demais. Vale especialmente para gatos, que mascaram a dor com facilidade.

Por que isso muda o plantão

O denominador comum dos três recursos — alerta com conduta, checklist e escore de dor — é o mesmo: transformar conhecimento que "está na cabeça de quem sabe" em algo que a ficha lembra na hora certa, para toda a equipe. Isso encurta o tempo de resposta, reduz a dependência de quem especificamente está de plantão e deixa um registro completo e defensável do que foi feito. É outro argumento a favor do registro digital sobre o papel: no papel, nada disso acontece em tempo real.

Perguntas frequentes

O alerta com conduta substitui o julgamento do anestesista?

Não. A conduta exibida é apoio à decisão baseado em diretrizes (AAHA 2020) e serve para acelerar a resposta e padronizar a equipe. A decisão final, considerando o paciente e o procedimento, é sempre do médico-veterinário responsável.

De onde vêm os limites de faixa dos parâmetros?

Das referências usuais de monitoração anestésica descritas nas diretrizes da AAHA (2020) — ETCO₂, SpO₂, PAM, frequência cardíaca por espécie/peso e temperatura. A frequência cardíaca é ajustada por espécie e porte.

Preciso de um monitor específico para usar a ficha?

Não. A ficha funciona com registro manual dos parâmetros. Em monitores compatíveis, o EasyVet também lê os valores automaticamente, mas o alerta com conduta não depende disso.

O escore de dor e o checklist saem no registro final?

Sim. O checklist de segurança pré-anestésico e o escore de dor (escala CSU) ficam registrados junto com a ficha e entram no PDF do registro anestésico do paciente.

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Sobre o autor: Dr. Anderson Eberhardt Assumpção é médico-veterinário graduado pela UFRGS, com residências em Clínica e Cirurgia de Pequenos Animais e em Cirurgia e Anestesiologia pela ULBRA, mestre em Ciências da Saúde pela UNISUL, professor de Medicina Veterinária na UNISUL (2013–2022) e do curso de pós-graduação em Anestesiologia do IBMVET. CRMV-SC 7179. Colaborador técnico do EasyVet.

Fonte: AAHA. 2020 Anesthesia and Monitoring Guidelines for Dogs and Cats. American Animal Hospital Association, 2020.