11 de outubro de 2026 · Monitoração · Leitura de 15 min · Por Me. Anderson Eberhardt Assumpção (CRMV-SC 7179)

Capnografia na anestesia: como ler o ETCO₂ e a curva em cães e gatos

O oxímetro responde se o sangue está oxigenado. O capnógrafo responde a três perguntas ao mesmo tempo: o paciente está ventilando, o circuito está funcionando e o sangue ainda está chegando aos pulmões? Todas saem da mesma curva — mas só para quem sabe lê-la. Este texto percorre o que a capnografia realmente mede, os valores de referência, os padrões de curva que mais aparecem na rotina de cães e gatos e as armadilhas que fazem um capnógrafo mentir.

Resumo

  • O CO₂ expirado depende de três coisas: produção (metabolismo), transporte (perfusão pulmonar) e eliminação (ventilação). Por isso a curva monitora ventilação, circuito e circulação ao mesmo tempo — e a oximetria sozinha não mede ventilação: um cão ou gato pequeno com respiração superficial pode ter SpO₂ normal e ETCO₂ alto.
  • A curva normal tem forma de "cartola": linha de base em zero na inspiração, subida íngreme, platô e queda vertical. A referência é de 35 a 45 mmHg; acima de 45 indica hipoventilação, abaixo de 35 indica hiperventilação, lavagem de CO₂, espaço morto alveolar ou baixo débito.
  • Linha de base que não volta a zero (ou CO₂ inspirado > 5 mmHg) é reinalação: cal sodada esgotada, válvula expiratória presa, espaço morto do equipamento ou, em circuito sem reinalação, fluxo de gás fresco baixo demais.
  • Perda abrupta do traçado = extubação, desconexão, apneia ou defeito do aparelho. Queda súbita com traçado preservado = débito cardíaco caindo, embolia pulmonar ou parada cardiopulmonar.
  • ETCO₂ não é PaCO₂. Em cães ventilados, o viés foi de 3,15 mmHg (mainstream) e 5,65 mmHg (sidestream), e aumentou acima de PaCO₂ de 60 mmHg — em hipercapnia grave, o capnógrafo subestima a gravidade.
  • Em animais pequenos, fluxo alto de gás fresco dilui a amostra do sidestream (leitura falsamente baixa) e o sensor mainstream soma espaço morto: conhecer a limitação do aparelho é parte da interpretação.

O que o capnógrafo realmente mede

O CO₂ é o principal produto do metabolismo aeróbio: sai dos tecidos, viaja pelo sangue até os pulmões e é eliminado pela ventilação. Como é muito solúvel, difunde-se com facilidade do sangue para os alvéolos, e em pacientes saudáveis as concentrações arterial e alveolar são quase equivalentes. Quando se mede o CO₂ no fim da expiração (ETCO₂), portanto, está-se lendo, de forma indireta, o resultado dessa cadeia inteira: metabolismo, perfusão e ventilação.

É aí que a capnografia faz o que a oximetria não faz. A oximetria mede a saturação da hemoglobina, não a ventilação: um cão ou gato pequeno que respira de forma superficial pode manter a SpO₂ dentro do normal enquanto o ETCO₂ já está alto por hipoventilação — sobretudo com oxigênio suplementar. E a hipoventilação tem consequências: o CO₂ elevado atua como simpaticomimético (aumenta frequência cardíaca e pressão), causa acidose respiratória, vasodilatação cerebral e maior chance de arritmias, e acima de cerca de 70 mmHg passa a deprimir o sistema nervoso central. A observação visual do tórax, por sua vez, é subjetiva e só indica que há movimento respiratório, não a qualidade da ventilação.

Evidência: Shippy S. Capnography: Assessing Ventilation During Anesthesia. Today's Veterinary Practice, jul./ago. 2024, p. 72-76.

A gasometria arterial continua sendo o padrão de referência para ventilação e oxigenação — mas é difícil de obter, dá uma fotografia de um único instante e depende de equipamento caro. A capnografia dá o filme: uma leitura contínua, em tempo real, a custo baixo e sem invasão.

Anatomia da curva normal

A nomenclatura formal divide o ciclo em quatro momentos. A fase 0 é a descida inspiratória — a queda vertical que marca o início da próxima inspiração. A fase I é a linha de base inspiratória, que reflete o gás inspirado e deve ficar em zero porque o gás inalado, normalmente, não contém CO₂. A fase II é a subida expiratória, a transição do gás do espaço morto para o gás alveolar. A fase III é o platô alveolar, e é dele que se lê o ETCO₂. O valor só representa o CO₂ alveolar quando esse platô é relativamente horizontal.

O conjunto lembra uma cartola (ou um quadrado): linha de base em zero, subida íngreme, platô e queda quase vertical. Qualquer deformação dessa forma é informação: a que lado do quadrado falta, ou se a base sobe, diz em que ponto do sistema (paciente, tubo, circuito, equipamento) está o problema.

Evidências: Nickson C. Capnography Waveform Interpretation. LITFL — Life in the Fast Lane, 30 dez. 2024. · Shippy S. Capnography: Assessing Ventilation During Anesthesia. Today's Veterinary Practice, jul./ago. 2024, p. 72-76.

Os números: o que cada faixa de ETCO₂ sugere

ETCO₂InterpretaçãoCausas e conduta
< 35 mmHgHiperventilação, lavagem de CO₂, espaço morto alveolar aumentado ou queda do débitoHiperventilação: avaliar plano anestésico, dor, temperatura e saturação (plano superficial, nocicepção, hipertermia e hipoxemia aumentam a ventilação). Em circuito sem reinalação, fluxo alto de gás fresco dilui a amostra do sidestream. Queda súbita: parada cardiopulmonar ou embolia pulmonar
35–45 mmHgReferência geralFaixa esperada de um paciente com ventilação adequada
> 45 mmHgHipoventilaçãoDepressão respiratória por opioides e inalatórios; obesidade, hipotireoidismo e hiperadrenocorticismo comprometem a mecânica ventilatória (deslocamento cranial do diafragma, menor complacência torácica)
50–55 mmHgHipercapnia leve a moderadaEm pacientes saudáveis costuma ser tolerada e pode favorecer a estabilidade hemodinâmica
> 60 mmHgHipoventilação importantePode ser necessária ventilação assistida, manual ou mecânica
Evidência: Shippy S. Capnography: Assessing Ventilation During Anesthesia. Today's Veterinary Practice, jul./ago. 2024, p. 72-76.

Essas faixas conversam com as já descritas em complicações anestésicas em cães e gatos: ETCO₂ de 40 a 50 (até 55) mmHg em plano cirúrgico adequado e indicação de ventilação com pressão positiva acima de 60 mmHg.

ETCO₂ não é PaCO₂

Um cuidado que a rotina costuma esquecer: o número do monitor é uma estimativa. Num estudo com seis cães saudáveis anestesiados, paralisados e ventilados mecanicamente em ventilação normal, hiper e hipoventilação, os dois tipos de capnógrafo se correlacionaram bem com a PaCO₂ e acompanharam as mudanças de ventilação. Mas o viés médio em relação à PaCO₂ foi de 3,15 ± 4,89 mmHg com o capnógrafo mainstream e de 5,65 ± 5,57 mmHg com o sidestream — e, em ambos, o viés aumentou quando a PaCO₂ passou de 60 mmHg. A conclusão dos autores é a que importa na prática: valores de ETCO₂ acima de 45 mmHg podem refletir de forma imprecisa a gravidade da hipoventilação. Quanto pior a hipercapnia, menos o monitor diz a verdade.

Evidência: Teixeira Neto FJ, Carregaro AB, Mannarino R, Cruz ML, Luna SPL. Comparison of a sidestream capnograph and a mainstream capnograph in mechanically ventilated dogs. Journal of the American Veterinary Medical Association, 2002;221(11):1582-1585.

O estudo tem a limitação de ter sido feito com poucos animais, saudáveis e em condições controladas. Serve como lembrete, não como correção numérica a aplicar ao paciente: diante de dúvida clínica sobre a ventilação, a gasometria arterial resolve.

Os padrões que mais importam

PadrãoComo apareceCausas mais comuns
HipoventilaçãoPlatô mais alto, forma preservada, base em zeroDepressão respiratória por fármacos, plano profundo, obesidade, patologia pulmonar ou abdominal
HiperventilaçãoPlatô mais baixo, forma preservada, frequência altaPlano superficial, dor, hipertermia, hipoxemia
ReinalaçãoLinha de base acima de zero (CO₂ inspirado > 5 mmHg)Cal sodada esgotada, válvula expiratória presa, espaço morto; fluxo baixo em circuito sem reinalação
Falha de válvula inspiratóriaElevação da linha de base inspiratóriaVálvula inspiratória disfuncional no circuito circular
Obstrução ("shark-fin")Subida inclinada, sem o "ombro" do quadradoBroncoconstrição, secreção ou dobra do tubo traqueal
VazamentoPerda do lado posterior do "quadrado" (platô e queda deformados)Cuff do tubo traqueal insuficiente
Apneia / desconexão / extubaçãoPerda abrupta do traçadoPaciente apneico, circuito desconectado, tubo deslocado, defeito do analisador
Parada cardiopulmonarQueda súbita e contínua do ETCO₂Cessação do débito cardíaco: o CO₂ deixa de chegar aos pulmões
Intubação esofágicaETCO₂ muito baixo ou zero, sem curva sustentadaTubo no esôfago: há pouco ou nenhum CO₂ ali
Oscilações cardiogênicasPequenas ondulações no traçado, no ritmo do batimento cardíacoTransmissão do batimento ao gás das vias aéreas; em geral sem significado patológico
Entalhe do curareFenda no platôEsforço inspiratório espontâneo em paciente com bloqueio neuromuscular parcial ou em recuperação
Evidências: Shippy S. Capnography: Assessing Ventilation During Anesthesia. Today's Veterinary Practice, jul./ago. 2024, p. 72-76 (hipoventilação, hiperventilação, reinalação, obstrução, vazamento, apneia/desconexão, parada e intubação esofágica). · Nickson C. Capnography Waveform Interpretation. LITFL, 2024 (falha de válvula inspiratória, oscilações cardiogênicas e entalhe do curare, listados como padrões a reconhecer; a descrição dos dois últimos segue o ensino clássico de livros-texto).

Reinalação: a causa depende do circuito

A linha de base que não volta a zero é o achado de mais consequência prática no dia a dia, e a conduta depende do tipo de circuito. Em circuito com reinalação (circular), três causas aparecem com frequência: cal sodada esgotada, válvula expiratória presa (a condensação pode fazê-la grudar ou não fechar por completo) e aumento do espaço morto — que o equipamento soma sem que se perceba: sensor mainstream, tubo traqueal longo, conectores em cotovelo e sensores de espirometria. Nesse tipo de circuito, fluxos baixos são aceitáveis justamente porque o absorvente está dentro do sistema, e por isso ele precisa ser trocado com regularidade (a sugestão é, por exemplo, semanal quando há cirurgia diariamente) — assunto que está em detalhe em Cal sodada: como funciona o absorvedor de CO₂.

Em circuito sem reinalação, o raciocínio muda: o fluxo de gás fresco é o que lava o CO₂ exalado, e, se for baixo demais, o paciente reinala. O fluxo recomendado costuma ficar em 200 a 300 mL/kg/min, e aumentar o fluxo até o CO₂ inspirado voltar a zero (ou a curva voltar à base) é o menor fluxo aceitável.

Evidência: Shippy S. Capnography: Assessing Ventilation During Anesthesia. Today's Veterinary Practice, jul./ago. 2024, p. 72-76.

Intubação esofágica: o que a curva diz — e o que não diz

Pouco ou nenhum CO₂ chega ao esôfago, de modo que a leitura de ETCO₂ numa intubação esofágica é muito baixa ou zero. Depois de intubar, a posição traqueal deve ser corroborada observando uma respiração e avaliando a curva. Há, porém, um detalhe: num modelo experimental em cães que haviam ingerido bebida gaseificada, três de cinco ventilações esofágicas mostraram CO₂ expirado nitidamente positivo nas primeiras respirações — mas com um traçado diferente do traqueal, com queda rápida dos valores. A lição é que a simples presença de CO₂ não basta: o que confirma a posição é a curva mantida, respiração após respiração.

Evidências: Shippy S. Capnography: Assessing Ventilation During Anesthesia. Today's Veterinary Practice, jul./ago. 2024, p. 72-76. · Garnett AR, Gervin CA, Gervin AS. Capnographic waveforms in esophageal intubation: effect of carbonated beverages. Annals of Emergency Medicine, 1989;18(4):387-390.

Capnografia como monitor de circulação

O CO₂ só chega ao pulmão se o sangue chegar. Quando o débito cardíaco cai (anestésicos, vasodilatação, bradicardia, hipovolemia), diminui o retorno venoso aos pulmões, a oferta de CO₂ ao alvéolo cai junto e o ETCO₂ desce. Uma queda súbita com traçado preservado, portanto, é um sinal precoce de parada cardiopulmonar em paciente anestesiado — e, no outro extremo, um salto súbito do ETCO₂ durante a reanimação sugere retorno da circulação espontânea. A embolia pulmonar também derruba o ETCO₂ de repente: parte do pulmão continua ventilada, mas deixa de ser perfundida, e o espaço morto alveolar aumenta.

Um experimento em seis cães anestesiados com isoflurano, paralisados e ventilados com volume constante, submetidos a sangramento progressivo de até 50% da volemia, mostrou que o ETCO₂ caiu de forma significativa a partir de 40% de perda. A queda percentual do ETCO₂ acompanhou a do débito cardíaco, numa proporção aproximada de 1 para 3. É um estudo pequeno e antigo, e a relação só vale com ventilação constante — não é um monitor de pressão arterial nem de volemia —, mas ilustra por que um ETCO₂ em queda gradual, sem mudança na ventilação, merece atenção antes de a pressão arterial reagir.

Evidências: Shippy S. Capnography: Assessing Ventilation During Anesthesia. Today's Veterinary Practice, jul./ago. 2024, p. 72-76. · Lee GY. Effects of Decrease in Cardiac Output on the Changes of End-tidal Carbon Dioxide Partial Pressure in the Acute Hemorrhagic Dogs. The Ewha Medical Journal, 1997;20(3):279-283.

Durante a RCP, o ETCO₂ passa a ser também uma medida da qualidade das compressões. As diretrizes RECOVER 2024 elevaram a meta mínima de ETCO₂ durante as compressões de 15 para 18 mmHg.

Evidência: Burkitt-Creedon JM, et al. 2024 RECOVER Guidelines: Updated treatment recommendations for CPR in dogs and cats. Journal of Veterinary Emergency and Critical Care, 2024;34(suppl 1):104-123.

Sidestream ou mainstream: as armadilhas do aparelho

Antes de interpretar a curva, vale saber como o número foi medido. Existem dois tipos de capnógrafo, e cada um tem uma limitação que o anestesista precisa carregar na cabeça — sobretudo em cães e gatos pequenos.

MainstreamSidestream
Como medeSensor no tubo traqueal, leitura quase em tempo realAspira uma amostra do circuito e mede no monitor
VantagensSem atraso de leituraLeve, mais durável
LimitaçõesPeso e volume do sensor, espaço morto adicional, maior resistência ao fluxoAtraso de 2 a 3 segundos, linha que entope com secreção e condensação, e fluxos altos de gás fresco diluem a amostra (leitura falsamente baixa)
Em cães ventilados (viés vs. PaCO₂)3,15 ± 4,89 mmHg5,65 ± 5,57 mmHg
Evidências: Shippy S. Capnography: Assessing Ventilation During Anesthesia. Today's Veterinary Practice, jul./ago. 2024, p. 72-76. · Teixeira Neto FJ, et al. Journal of the American Veterinary Medical Association, 2002;221(11):1582-1585.

O recado para pacientes pequenos é simétrico: o mainstream acrescenta espaço morto e peso, e o sidestream pode ler baixo demais se o fluxo de gás fresco for alto. Se o ETCO₂ parece baixo de forma inexplicável em um gato ou cão pequeno em circuito sem reinalação, vale pensar na diluição da amostra antes de concluir que o paciente está hiperventilando.

Na rotina: o que fazer com tudo isso

Importante: este texto discute o raciocínio de interpretação da capnografia e cita achados de estudos e de revisões, não um protocolo para o seu paciente. Limites de ETCO₂, fluxos de gás fresco e condutas devem ser ajustados caso a caso, de acordo com espécie, porte, circuito, estado clínico e a referência atualizada que o serviço adota.

Conclusão

A capnografia é um dos poucos monitores que olha, de uma vez, para o paciente, o tubo, o circuito e o equipamento. Por isso tem tanto valor — e por isso ela só funciona de verdade quando o anestesista lê o formato da curva, e não só o número. Saber o que cada faixa de ETCO₂ sugere, reconhecer a reinalação pela base que não volta a zero, desconfiar de uma intubação esofágica quando o traçado não se sustenta, enxergar na queda do ETCO₂ um possível problema de circulação e lembrar que o monitor tem viés e limitações — isso transforma o capnógrafo de enfeite do carrinho de anestesia em um dos instrumentos de segurança mais eficientes que existem.

Perguntas frequentes

Qual o valor normal de ETCO₂ em cães e gatos anestesiados?

A referência geral é de 35 a 45 mmHg. Acima de 45 mmHg indica hipoventilação; abaixo de 35 mmHg indica hiperventilação, lavagem de CO₂ no circuito, aumento do espaço morto alveolar ou queda do débito cardíaco. Em pacientes saudáveis, hipercapnia leve a moderada (50 a 55 mmHg) costuma ser tolerada; acima de 60 mmHg, a ventilação assistida pode ser necessária.

O que significa a linha de base da capnografia não voltar a zero?

Significa que o paciente está reinalando CO₂ (CO₂ inspirado acima de cerca de 5 mmHg). Em circuito com reinalação, as causas mais comuns são cal sodada esgotada, válvula expiratória presa e aumento do espaço morto do equipamento. Em circuito sem reinalação, a causa típica é fluxo de gás fresco insuficiente: aumentar o fluxo até o CO₂ inspirado voltar a zero é o menor fluxo aceitável.

Como a capnografia ajuda a identificar intubação esofágica?

Há muito pouco ou nenhum CO₂ no esôfago, então o ETCO₂ na intubação esofágica é muito baixo ou zero. Depois de intubar, corrobore a posição observando uma respiração e a forma da curva. Em modelo experimental em cães, bebida gaseificada ingerida pode gerar CO₂ nas primeiras ventilações esofágicas, mas com traçado diferente do traqueal — por isso a presença isolada de CO₂ não basta.

O ETCO₂ é igual à PaCO₂?

Não. Em cães ventilados, a diferença média em relação à PaCO₂ foi de 3,15 mmHg (mainstream) e 5,65 mmHg (sidestream), e o viés aumentou acima de PaCO₂ de 60 mmHg: em hipercapnia grave, o capnógrafo tende a subestimar a gravidade. A gasometria arterial segue sendo o padrão de referência.

Por que o ETCO₂ cai de repente durante a anestesia?

Queda súbita com perda do traçado: extubação, desconexão, apneia ou defeito do equipamento. Queda com o traçado preservado: redução do débito cardíaco, embolia pulmonar ou parada cardiopulmonar. Em cães com hemorragia progressiva sob ventilação constante, o ETCO₂ caiu significativamente a partir de 40% de perda de volemia.

Capnógrafo sidestream ou mainstream: qual é melhor em animais pequenos?

Os dois têm limitações: o mainstream é pesado e soma espaço morto e resistência; o sidestream tem atraso de 2 a 3 segundos, entope com secreção e condensação, e fluxos altos de gás fresco diluem a amostra, dando leitura falsamente baixa. Em cães ventilados, o mainstream teve menor viés em relação à PaCO₂. O essencial é conhecer a limitação do aparelho em uso.

Referências

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Sobre o autor: Me. Anderson Eberhardt Assumpção é médico-veterinário graduado pela UFRGS, com residências em Clínica e Cirurgia de Pequenos Animais e em Cirurgia e Anestesiologia pela ULBRA, mestre em Ciências da Saúde pela UNISUL, professor de Medicina Veterinária na UNISUL (2013–2022) e do curso de pós-graduação em Anestesiologia do IBMVET. CRMV-SC 7179. Colaborador técnico do EasyVet.

Fontes citadas: Shippy (Today's Veterinary Practice, 2024); Teixeira Neto et al. (JAVMA, 2002); Lee (Ewha Medical Journal, 1997); Garnett et al. (Annals of Emergency Medicine, 1989); Burkitt-Creedon et al. (RECOVER 2024, JVECC); Nickson (LITFL, 2024) — lista completa acima.