Tramadol: por que sempre polêmico?
Poucos fármacos dividem tanto a opinião de anestesistas veterinários quanto o tramadol. A razão não é modismo: é metabolismo — e regulação, e via de administração, e espécie. O mesmo comprimido que funciona de um jeito no gato funciona de outro, bem menos previsível, no cão; a mesma molécula que os Estados Unidos deixaram de fora de qualquer controle por quase vinte anos já nascia como substância de controle especial no Brasil. Entender essas camadas — não só "é opioide, sim ou não" — é o que muda a forma de prescrever, de dosear, de escolher a via e de decidir onde ele não deveria entrar no protocolo.
Resumo
- Sintetizado em 1962 (Grünenthal, Alemanha) e vendido nos EUA sem controle especial até 2014, quando a DEA o reclassificou como substância controlada — quase 20 anos depois do lançamento americano.
- É classificado como opioide atípico: mecanismo duplo, agonista µ fraco associado à inibição da recaptação de serotonina e noradrenalina, e metabolizado a M1 (O-desmetiltramadol, o verdadeiro agente opioide) e M2 (N-desmetiltramadol, opioide desprezível).
- Cães formam muito menos M1 do que gatos e humanos — e a biodisponibilidade também varia drasticamente por via: quase completa por via IM (92%), média e muito variável por via oral (65%, cães), e péssima por via retal (10%).
- Ensaios controlados mostram efeito claro em gatos com osteoartrite, mas nenhuma diferença frente ao placebo no mesmo desenho de estudo em cães — e o tramadol não deve ser usado como MPA: não sedou e aumentou a dose de indução necessária num estudo controlado.
1962–2014: os 52 anos que separam a síntese da substância controlada
O tramadol foi sintetizado em 1962 pelos químicos Kurt Flick e Ernst Frankus, nos laboratórios da Grünenthal GmbH, em Stolberg, na Alemanha — a mesma empresa que, poucos anos antes, havia lançado a talidomida e enfrentado um dos maiores escândalos farmacêuticos do século XX. Chegou ao mercado alemão em 1977 e só entrou nos Estados Unidos em 1995, sob a marca Ultram, mais de três décadas depois de sintetizado.
O detalhe regulatório é onde a história fica realmente interessante. Nos EUA, o tramadol foi lançado sem nenhum controle especial — precisamente por ser divulgado como um opioide "seguro", de baixo potencial de abuso, uma alternativa à morfina e à codeína sem o mesmo risco de dependência. Tornou-se o opioide mais prescrito do mercado europeu. Só que sinais de abuso e de complicações associadas ao uso indevido apareceram já nos primeiros anos após a aprovação — e, mesmo assim, o tramadol seguiu como um "loop hole drug": viciante, abusado, desviado, mas não controlado, porque formalmente não era considerado perigoso o bastante para isso. A Drug Enforcement Administration (DEA) americana só publicou a regra final classificando o tramadol como substância controlada de Schedule IV em julho de 2014, com efeito a partir de agosto daquele ano — quase 20 anos depois do lançamento comercial nos EUA.
No Brasil, o percurso regulatório foi o oposto: o tramadol já constava da Lista A2 (entorpecentes de uso restrito, sujeitos a Notificação de Receita A) da Portaria SVS/MS nº 344, de 12 de maio de 1998 — a mesma norma que organiza o controle de opioides no país. Uma exceção específica permite que apresentações com até 100 mg por unidade posológica sejam dispensadas mediante Receita de Controle Especial em duas vias, um regime um pouco menos restritivo que o da Notificação de Receita A plena, mas ainda assim de controle especial desde o início. Ou seja: o mesmo fármaco que os Estados Unidos trataram como "não perigoso o bastante para controlar" por quase duas décadas, o Brasil já enquadrava como substância de controle especial desde 1998.
A classificação farmacológica do tramadol também nasce ambígua, independente da regulação: é descrito na literatura como opioide atípico, porque sua atividade analgésica depende da soma de dois mecanismos de natureza diferente — um opioide clássico e um monoaminérgico, este último típico de antidepressivos e não de analgésicos opioides tradicionais.
Mecanismo de ação: dois remédios dentro de um comprimido
O tramadol propriamente dito é um agonista fraco do receptor µ-opioide — sua afinidade é cerca de 6.000 vezes menor que a da morfina pelo mesmo receptor. Isoladamente, essa ação opioide direta seria clinicamente pouco relevante. O que dá ao tramadol sua analgesia é a soma com um segundo mecanismo, independente do sistema opioide: a inibição da recaptação de serotonina e noradrenalina nas vias descendentes de modulação da dor — o mesmo tipo de mecanismo usado por antidepressivos duais (IRSN) no controle da dor neuropática.
Isso já explica por que a resposta ao tramadol é mais heterogênea do que a de um opioide pleno: parte do efeito depende de quanto do fármaco vira o metabólito opioide ativo, e parte independe disso — o componente monoaminérgico atua de forma relativamente constante entre indivíduos, enquanto o componente opioide oscila conforme a capacidade metabólica de cada animal.
M1 e M2: os metabólitos que decidem se o tramadol funciona como opioide
O tramadol sofre duas rotas metabólicas principais e concorrentes entre si:
- O-desmetilação → M1 (O-desmetiltramadol): o metabólito com atividade opioide real — sua afinidade pelo receptor µ é cerca de 200 a 300 vezes maior que a do tramadol original. É o M1, não o tramadol em si, que carrega a maior parte do efeito opioide da molécula.
- N-desmetilação → M2 (N-desmetiltramadol): metabólito com atividade opioide desprezível. Não contribui de forma relevante para a analgesia opioide, embora possa ser posteriormente convertido em outros metabólitos (como o M5).
Em humanos, a formação de M1 depende quase exclusivamente da enzima CYP2D6 — famosa por seu polimorfismo genético, que divide pessoas em metabolizadoras lentas, extensas ou ultrarrápidas do tramadol, com respostas analgésicas correspondentemente diferentes.
Por que o cão não é "opioide-dependente" do tramadol (e o gato é)
Em cães, quem faz a O-desmetilação a M1 é a CYP2D15 — o ortólogo canino da CYP2D6 humana. Um estudo com microssomas hepáticos mostrou algo contraintuitivo: a CYP2D15 canina forma M1 mais rápido que a CYP2D6 humana in vitro. Mesmo assim, cães circulam com muito menos M1 do que humanos e gatos. A explicação está na competição entre rotas: no fígado do cão, as enzimas CYP2B11 e CYP3A12 — responsáveis pela N-desmetilação a M2 — são muito mais ativas, desviando boa parte do tramadol disponível para a rota "sem efeito opioide" antes que a CYP2D15 consiga atuar. O pouco M1 que se forma ainda é depurado rapidamente, por nova N-desmetilação a um metabólito seguinte (M5).
O resultado prático, medido em plasma de animais vivos: a razão entre as áreas sob a curva de M1 e de tramadol fica entre 0,027 e 0,1 em cães — contra 0,27 em humanos e 1,4 em gatos. Ou seja, o gato forma proporcionalmente mais M1 do que o próprio ser humano, enquanto o cão forma uma fração pequena. Isso inverte a expectativa mais comum: não é o cão que metaboliza tramadol "melhor" que o gato — é o contrário.
| Espécie | Razão AUC M1/tramadol | Fonte |
|---|---|---|
| Cão | 0,027–0,1 | KuKanich & Papich, 2004 |
| Humano | 0,27 | KuKanich & Papich, 2004 |
| Gato | ≈1,4 | Pypendop & Ilkiw, 2008 |
Na prática, isso significa que, no cão, o tramadol funciona muito mais como um fármaco monoaminérgico (serotonina/noradrenalina) do que como um opioide de verdade — enquanto no gato a contribuição opioide via M1 é real e mensurável.
Vias de administração e biodisponibilidade: onde o tramadol se torna ainda mais imprevisível em cães
Se a espécie já é uma fonte de variabilidade, a via de administração adiciona outra camada inteira ao problema — e é aqui que o tramadol se revela um fármaco genuinamente difícil de padronizar em cães.
| Via | Espécie | Biodisponibilidade | Observação |
|---|---|---|---|
| Intramuscular | Cão | 84–102% (média 92 ± 9%) | Praticamente equivalente à via IV — a via mais confiável no cão. |
| Oral | Cão | 65 ± 38% | Variação de até 10 vezes entre indivíduos — a via mais usada e a menos previsível. |
| Oral | Gato | 93 ± 7% | Bem mais confiável do que no cão, com pouca variação individual. |
| Extradural (epidural) | Cão | Perfil semelhante à via IV | Absorção sistêmica praticamente completa a partir do espaço extradural. |
| Retal | Cão | ≈10 ± 4% | A pior via estudada — absorção rápida, mas metabolismo de primeira passagem intenso. |
| Intranasal | Cão | Baixa e breve (detectável por ≈2h) | Paradoxo: um ensaio relatou eficácia analgésica comparável à via IV apesar da baixíssima concentração plasmática — sugerindo mecanismo ainda não totalmente esclarecido. |
| Transdérmica (gel composto) | Gato | Não detectável a 4,3 ng/mL | Contra 261 ng/mL por via oral no mesmo estudo — a formulação transdérmica testada simplesmente não absorveu de forma clinicamente relevante. |
O caso da via transdérmica em gatos merece destaque à parte: o estudo que testou um gel composto aplicado na face interna do pavilhão auricular não encontrou concentrações plasmáticas clinicamente relevantes — e, para piorar, a concentração real de tramadol nos géis testados excedia o padrão de 90–110% da United States Pharmacopeia para medicamentos manipulados em todas as amostras analisadas. Ou seja, além de a via não absorver de forma confiável, a própria formulação manipulada testada não continha a concentração declarada no rótulo — um alerta duplo sobre confiar em preparações transdérmicas de tramadol sem dados de biodisponibilidade que as sustentem.
Já o caso intranasal é o inverso: baixíssima absorção sistêmica, mas eficácia clínica relatada como comparável à via IV e à metadona num ensaio pós-ovário-histerectomia. Os próprios autores reconhecem que as concentrações plasmáticas encontradas dificilmente explicam sozinhas o efeito analgésico observado — um lembrete de que "biodisponibilidade sistêmica baixa" nem sempre significa "sem efeito", mas também de que resultados clínicos isolados, sem uma explicação farmacocinética coerente, merecem replicação antes de virar prática rotineira.
O que os estudos clínicos mostram — e o contraste mais direto entre cão e gato
A inconsistência farmacocinética se reflete na clínica, e o contraste mais nítido vem de dois estudos com desenho quase idêntico em espécies diferentes. Em gatos com osteoartrite natural, um ensaio randomizado, cego e controlado por placebo (tramadol 3 mg/kg VO, duas vezes ao dia, por 19 dias) encontrou aumento do apoio de peso, da atividade motora noturna e redução da sensibilização central — a primeira demonstração clara de benefício do tramadol na osteoartrite felina.
Em cães com osteoartrite de cotovelo ou joelho, um ensaio randomizado, cego e cross-over com 40 animais não encontrou diferença nenhuma entre tramadol e placebo para dor ou função articular — resultado forte o suficiente para virar manchete no meio veterinário ("Is tramadol the new placebo?").
O mesmo padrão aparece em cirurgia: o tramadol falhou em reduzir a fração expirada de isoflurano da forma que a morfina reduziu, num ensaio comparando as duas drogas após ovário-histerectomia — sinal de que não entrega o efeito poupador de anestésico esperado de um opioide.
Mais recentemente, associar tramadol (5 mg/kg, três vezes ao dia) ao robenacoxibe não antecipou a retomada de apoio de peso em 38 cães após excisão de cabeça e colo femoral, comparado ao robenacoxibe isolado — sem benefício adicional detectável.
Isso não quer dizer que o tramadol seja inútil em cães. Uma revisão sistemática com metanálise de 26 ensaios clínicos (848 cães) concluiu que o tramadol provavelmente reduz a necessidade de resgate analgésico frente a placebo ou a opioides mais fracos (buprenorfina, codeína, nalbufina) — com certeza de evidência moderada. O quadro que emerge não é "não funciona", é "funciona menos e de forma menos previsível do que um opioide pleno" — exatamente o que a farmacocinética do M1 já sugeria, e exatamente o oposto do que se observa em gatos.
Doses em cães e gatos, e o intervalo entre elas
Não existe uma dose única consagrada — os estudos publicados usam faixas que variam de 1 a 5 mg/kg em cães e de 2 a 4 mg/kg em gatos, por via oral, IM ou IV, com intervalo de aproximadamente 8 horas sendo o mais citado na prática e nos ensaios clínicos recentes.
O intervalo entre doses é, ele mesmo, um ponto de atrito pouco discutido: a meia-vida do tramadol administrado por via IV em cães é de apenas 0,80 hora — extremamente curta. Protocolos que dosam a cada 8 a 12 horas criam longos períodos de vale, sem tramadol nem M1 circulante relevante, entre uma dose e a próxima. Esse descompasso entre a farmacocinética real e o intervalo posológico comumente praticado é mais um fator plausível por trás da eficácia inconsistente relatada nos ensaios clínicos em cães.
Há inclusive evidência direta de que manter o nível plasmático estável resolve parte do problema: um ensaio comparou bólus IV único (4 mg/kg) contra infusão contínua (bólus de 1,5 mg/kg seguido de 2,6 mg/kg/h) durante ovário-histerectomia em cães, e o grupo em infusão contínua precisou de concentração significativamente menor de isoflurano e apresentou escores de dor mais baixos no pós-operatório imediato — reforçando que parte da ineficácia relatada com doses intermitentes pode ser um problema de regime posológico, não só de espécie.
Em gatos, além da questão farmacocinética mais favorável, existe um obstáculo puramente prático: o comprimido de tramadol é extremamente amargo, e é comum salivação intensa e recusa mesmo quando a dose está correta — um problema de adesão que independe do mecanismo de ação, e que ajuda a explicar por que formulações transdérmicas foram tentadas (e, como visto acima, falharam em pelo menos um estudo controlado).
Por que não deve ser usado como medicação pré-anestésica
Se o raciocínio da MPA é sedar, reduzir a dose dos agentes seguintes e preparar o paciente para a indução, o tramadol falha nos três pontos ao mesmo tempo. Um estudo controlado comparando tramadol e morfina como pré-anestésicos em cães submetidos a cirurgia ortopédica encontrou: o tramadol não produziu sedação visível nem êmese, enquanto a morfina sedou todos os cães (com vômito em 62% deles) — e, mais revelador, os cães pré-medicados com tramadol precisaram de dose significativamente maior de tiopental para permitir a intubação.
Ou seja: em vez de poupar dose de indução — a própria razão de ser de uma MPA — o tramadol aumentou a dose necessária. Some-se a isso o risco teórico de síndrome serotoninérgica em pacientes que já usam outros fármacos serotoninérgicos em casa (trazodona, fluoxetina, mirtazapina — comuns em protocolos comportamentais), e fica difícil justificar o tramadol no momento do protocolo em que se espera sedação previsível e redução de dose, não o oposto.
O que vem depois do tramadol
Parte da comunidade de farmacologia veterinária já discute o tapentadol como sucessor conceitual do tramadol: um analgésico com o mesmo mecanismo dual (agonismo µ e inibição da recaptação de noradrenalina), mas que não depende de ativação metabólica — o próprio composto já é ativo, sem precisar virar M1 para ter efeito opioide relevante. Isso eliminaria, ao menos em teoria, boa parte da variabilidade entre espécies e entre indivíduos que torna o tramadol tão imprevisível. Os autores de uma revisão recente são cautelosos: o perfil parece promissor, mas ainda faltam estudos clínicos veterinários suficientes para confirmar superioridade real sobre o tramadol em cães e gatos.
Conclusão
O tramadol não é uma fraude farmacológica nem um opioide "de verdade" disfarçado — é as duas coisas, dependendo de quem o metaboliza, de qual via se usa e, olhando o histórico regulatório, de qual lado do Atlântico se está prescrevendo. Em gatos, a formação robusta de M1 garante uma contribuição opioide real, confirmada em ensaios clínicos de osteoartrite. Em cães, a mesma molécula se apoia quase inteiramente no seu mecanismo monoaminérgico, com efeito opioide pequeno e imprevisível de animal para animal — e ainda mais imprevisível conforme a via de administração escolhida, do quase-100% da via IM ao quase-zero da via retal ou de géis transdérmicos mal formulados. Entender essas camadas — e não tratar "opioide" como uma categoria binária, nem "tramadol" como um fármaco de comportamento único — é o que explica por que ele segue sendo, ao mesmo tempo, um dos analgésicos mais prescritos e um dos mais questionados na anestesiologia de pequenos animais.
Perguntas frequentes
Tramadol é opioide ou não?
Estruturalmente sim: o tramadol e seu metabólito M1 se ligam ao receptor µ-opioide. Mas funcionalmente a resposta depende da espécie — em cães, que formam pouco M1, o efeito analgésico depende muito mais do mecanismo não opioide (inibição da recaptação de serotonina e noradrenalina) do que da ação opioide propriamente dita.
Por que o tramadol funciona melhor em gatos do que em cães?
Porque gatos formam muito mais M1 (O-desmetiltramadol) em relação ao tramadol administrado do que os cães — uma razão de AUC de cerca de 1,4 nos gatos contra 0,027–0,1 nos cães. Como o M1 é o metabólito com a real atividade opioide, os gatos recebem uma contribuição opioide mais consistente do fármaco, e isso aparece na clínica: um ensaio controlado demonstrou benefício claro do tramadol na osteoartrite felina, enquanto o mesmo desenho de estudo em cães não encontrou diferença frente ao placebo.
Qual via de administração do tramadol tem melhor biodisponibilidade?
Em cães, a via intramuscular tem biodisponibilidade quase completa (84–102%, média 92%), equivalente à intravenosa. A via oral é bem mais variável (65% em média, mas com desvio de até 38% e diferença de até 10 vezes entre indivíduos). A via retal é a pior, com apenas 10% de biodisponibilidade. Em gatos, a via oral já é bastante confiável, com biodisponibilidade média de 93%.
Qual a dose de tramadol em cães e gatos?
Os estudos publicados usam doses de 1 a 5 mg/kg em cães e de 2 a 4 mg/kg em gatos, por via oral, IM ou IV, geralmente a cada 8 horas. Mas a resposta varia muito entre indivíduos por causa da diferença de metabolismo — a dose e o intervalo devem ser ajustados caso a caso, não copiados de um protocolo padrão.
Por que tramadol não deve ser usado como medicação pré-anestésica?
Um estudo controlado mostrou que o tramadol não produziu sedação visível em cães (contra sedação moderada com morfina) e, pior, os cães pré-medicados com tramadol precisaram de dose significativamente maior de tiopental para indução — o oposto do que se espera de uma MPA.
Por que o tramadol demorou tanto para virar substância controlada nos Estados Unidos?
O tramadol foi lançado nos EUA em 1995 sem nenhum controle especial, justamente por ser divulgado como analgésico opioide de baixo potencial de abuso. Sinais de uso indevido apareceram já nos primeiros anos, mas a DEA só o classificou como substância controlada (Schedule IV) em 2014 — quase 20 anos depois. No Brasil, o tramadol já era enquadrado como substância sujeita a controle especial desde a Portaria SVS/MS nº 344/1998.
Referências
- ALDRICH, L. A.; ROUSH, J. K.; KUKANICH, B. Plasma concentrations of tramadol after transdermal application of a single metered dose of a compounded tramadol gel to cats. American Journal of Veterinary Research, v. 82, n. 10, p. 840-845, 2021. DOI: 10.2460/ajvr.82.10.840.
- BUDSBERG, S. C.; TORRES, B. T.; KLEINE, S. A.; SANDBERG, G. S.; BERJESKI, A. K. Lack of effectiveness of tramadol hydrochloride for the treatment of pain and joint dysfunction in dogs with chronic osteoarthritis. Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 252, n. 4, p. 427-432, 2018. DOI: 10.2460/javma.252.4.427.
- COSTA, G. L.; DI PIETRO, S.; INTERLANDI, C.; LEONARDI, F.; MACRÌ, D.; FERRANTELLI, V.; MACRÌ, F. Effect on physiological parameters and anaesthetic dose requirement of isoflurane when tramadol given as a continuous rate infusion vs a single intravenous bolus injection during ovariohysterectomy in dogs. PLoS ONE, v. 18, n. 2, e0281602, 2023. DOI: 10.1371/journal.pone.0281602.
- DI SALVO, A.; CONTI, M. B.; NANNARONE, S.; BUFALARI, A.; GIORGI, M.; MORETTI, G.; MARENZONI, M. L.; DELLA ROCCA, G. Pharmacokinetics and analgesic efficacy of intranasal administration of tramadol in dogs after ovariohysterectomy. Veterinary Anaesthesia and Analgesia, v. 47, n. 4, p. 557-566, 2020. DOI: 10.1016/j.vaa.2019.12.011.
- DOMÍNGUEZ-OLIVA, A.; CASAS-ALVARADO, A.; MIRANDA-CORTÉS, A. E.; HERNÁNDEZ-AVALOS, I. Clinical pharmacology of tramadol and tapentadol, and their therapeutic efficacy in different models of acute and chronic pain in dogs and cats. Journal of Advanced Veterinary and Animal Research, v. 8, n. 3, p. 404-422, 2021. DOI: 10.5455/javar.2021.h529.
- DONATI, P. A.; TARRAGONA, L.; FRANCO, J. V. A.; KREIL, V.; FRAVEGA, R.; DIAZ, A.; VERDIER, N.; OTERO, P. E. Efficacy of tramadol for postoperative pain management in dogs: systematic review and meta-analysis. Veterinary Anaesthesia and Analgesia, v. 48, n. 3, p. 283-296, 2021. DOI: 10.1016/j.vaa.2021.01.003.
- GIORGI, M.; DEL CARLO, S.; SACCOMANNI, G.; LEBKOWSKA-WIERUSZEWSKA, B.; KOWALSKI, C. J. Pharmacokinetics of tramadol and its major metabolites following rectal and intravenous administration in dogs. New Zealand Veterinary Journal, v. 57, n. 3, p. 146-152, 2009. DOI: 10.1080/00480169.2009.36894.
- KRYSTALLI, A.; KAZAKOS, G. M.; SAVVAS, I.; PRASSINOS, N. N. Lack of Effectiveness of Tramadol for Earlier Limb Weight-Bearing After Femoral Head and Neck Excision in 38 Dogs. Animals, v. 16, n. 7, p. 1064, 2026. DOI: 10.3390/ani16071064.
- KUKANICH, B.; PAPICH, M. G. Pharmacokinetics of tramadol and the metabolite O-desmethyltramadol in dogs. Journal of Veterinary Pharmacology and Therapeutics, v. 27, n. 4, p. 239-246, 2004. DOI: 10.1111/j.1365-2885.2004.00578.x.
- KUKANICH, B.; PAPICH, M. G. Pharmacokinetics and antinociceptive effects of oral tramadol hydrochloride administration in Greyhounds. American Journal of Veterinary Research, v. 72, n. 2, p. 256-262, 2011. DOI: 10.2460/ajvr.72.2.256.
- MASTROCINQUE, S.; FANTONI, D. T. A comparison of preoperative tramadol and morphine for the control of early postoperative pain in canine ovariohysterectomy. Veterinary Anaesthesia and Analgesia, v. 30, n. 4, p. 220-228, 2003. DOI: 10.1046/j.1467-2995.2003.00090.x.
- MONTEIRO, B. P.; KLINCK, M. P.; MOREAU, M.; GUILLOT, M.; STEAGALL, P. V. M.; PELLETIER, J. P., et al. Analgesic efficacy of tramadol in cats with naturally occurring osteoarthritis. PLoS ONE, v. 12, n. 4, e0175565, 2017. DOI: 10.1371/journal.pone.0175565.
- NATALINI, C. C.; POLIDORO, A. S.; CROSIGNANI, N. Effects of morphine or tramadol on thiopental anesthetic induction dosage and physiologic variables in halothane anesthetized dogs. Acta Scientiae Veterinariae, v. 35, n. 2, p. 161-166, 2007.
- PEREZ, T. E.; MEALEY, K. L.; GRUBB, T. L.; GREENE, S. A.; COURT, M. H. Tramadol Metabolism to O-Desmethyl Tramadol (M1) and N-Desmethyl Tramadol (M2) by Dog Liver Microsomes: Species Comparison and Identification of Responsible Canine Cytochrome P450s. Drug Metabolism and Disposition, v. 44, n. 12, p. 1963-1972, 2016. DOI: 10.1124/dmd.116.071902.
- PYPENDOP, B. H.; ILKIW, J. E. Pharmacokinetics of tramadol, and its metabolite O-desmethyl-tramadol, in cats. Journal of Veterinary Pharmacology and Therapeutics, v. 31, n. 1, p. 52-59, 2008. DOI: 10.1111/j.1365-2885.2007.00921.x.
- SUBEDI, M.; BAJAJ, S.; KUMAR, M. S.; YC, M. An overview of tramadol and its usage in pain management and future perspective. Biomedicine & Pharmacotherapy, v. 111, p. 443-451, 2019. DOI: 10.1016/j.biopha.2018.12.085.
- U.S. DEPARTMENT OF JUSTICE, DRUG ENFORCEMENT ADMINISTRATION. Schedules of Controlled Substances: Placement of Tramadol Into Schedule IV. Federal Register, v. 79, n. 126, p. 37623-37630, 2 jul. 2014.
- VETTORATO, E.; ZONCA, A.; ISOLA, M.; VILLA, R.; GALLO, M.; RAVASIO, G.; BECCAGLIA, M.; MONTEIRO, C.; CAGNARDI, P. Pharmacokinetics and efficacy of intravenous and extradural tramadol in dogs. The Veterinary Journal, v. 183, n. 3, p. 310-315, 2010. DOI: 10.1016/j.tvjl.2008.10.021.
Registre cada fármaco da MPA direto na ficha anestésica
O EasyVet documenta fármaco, dose, via e horário junto com o restante do procedimento — com histórico pronto para consulta e respaldo clínico. Teste grátis por 30 dias, sem cartão de crédito.
Começar teste grátis