22 de julho de 2026 · Analgesia · Leitura de 7 min · Por Dr. Anderson Eberhardt Assumpção (CRMV-SC 7179)

Escala de dor CSU em cães: como avaliar dor pós-operatória

O cão não diz onde dói — e, sem um instrumento, a avaliação de dor vira "achismo" que muda de acordo com quem está de plantão. A Escala de Dor Aguda Canina da Colorado State University (CSU) resolve isso com uma pontuação de 0 a 4, ancorada em comportamento, resposta à palpação e tensão corporal. É gratuita, visual e rápida de aplicar à beira do leito.

Resumo

  • A escala CSU classifica a dor aguda do cão em cinco níveis (0 a 4), do animal confortável ao potencialmente irresponsivo à dor.
  • Cada escore combina três eixos: resposta psicológica/comportamental, resposta à palpação da ferida e tensão corporal.
  • A partir do escore 2 (dor leve a moderada), a recomendação é reavaliar o plano analgésico.
  • A pontuação deve ser refeita quando o animal está desperto — sedação residual mascara a dor.
  • Registrar o escore de forma seriada (não uma vez só) é o que permite ver se a analgesia está funcionando.

O que é a escala de dor aguda da CSU

A Canine Acute Pain Scale foi desenvolvida no Hospital Veterinário da Colorado State University (Hellyer, Uhrig e Robinson, 2006) como uma ferramenta de apoio à decisão à beira do leito. Diferente de uma escala puramente numérica, ela é uma escala descritiva e ilustrada: para cada nível de 0 a 4 há uma descrição de comportamento típico, o que reduz a variação entre observadores e ajuda equipes menos experientes a pontuar com consistência.

Ela é distribuída gratuitamente pela CSU justamente para uso clínico — por isso é uma das escalas de dor mais usadas no mundo e uma boa escolha para padronizar a avaliação dentro da clínica sem depender de instrumentos proprietários pagos.

Os três eixos de cada escore

O que diferencia a escala CSU de um simples "de 0 a 10, quanto dói?" é que ela obriga o avaliador a olhar para três dimensões antes de decidir o número:

Só depois de olhar os três eixos é que se atribui o escore único de 0 a 4.

Os cinco níveis, na prática

EscoreQuadro típicoConduta
0Confortável, feliz, interessado no ambiente; não incomoda a ferida; tensão corporal mínima.Sem sinais de dor — manter observação.
1Levemente inquieto; olhar preocupado, orelhas caídas; pode lamber a ferida quando sozinho.Dor leve — vigiar de perto, antecipar analgesia.
2Relutante em interagir; geme ou morde a ferida quando não observado; protege o local alterando a postura.Reavaliar o plano analgésico.
3Geme ou chora de forma constante; reage à palpação com choro ou tentativa de fuga; tensão de moderada a intensa.Reavaliar o plano analgésico — resgate provável.
4Gemidos/gritos constantes; potencialmente irresponsivo ao redor; difícil de distrair da dor; corpo rígido.Reavaliar o plano analgésico com urgência.
Importante: esta tabela é uma síntese em português para consulta rápida. Para pontuar de fato, use o pôster oficial da CSU com as descrições completas e as ilustrações de cada nível. O escore é apoio à decisão — a conduta final depende do julgamento clínico do médico-veterinário responsável.

Os dois erros mais comuns ao aplicar a escala

1. Pontuar o animal ainda sedado

A instrução da própria escala é clara: rescore when awake (reavaliar quando desperto). Um cão sob efeito residual de sedação ou opioide pode marcar escore baixo simplesmente porque está quieto — e a dor "aparece" só quando o efeito passa, muitas vezes fora do horário da equipe. Um animal que dorme mas pode ser despertado é registrado como "não avaliado para dor", não como escore 0.

2. Pontuar uma vez só

Um único escore não diz nada sobre a evolução. O valor clínico aparece na série temporal: pontuar em intervalos regulares no pós-operatório mostra se a analgesia está segurando ou se a dor está escalando. Um escore 3 que cai para 1 após um resgate é a confirmação de que a conduta funcionou.

Como a escala CSU entra na ficha anestésica

Na prática, o gargalo não é conhecer a escala — é registrá-la de forma consistente e conseguir recuperar a série depois. Em papel, os escores ficam soltos e ninguém volta para comparar. No EasyVet, a escala de dor CSU está embutida na fase de recuperação da ficha anestésica digital: cada pontuação entra como um ponto na linha do tempo do paciente, com o limiar de resgate já configurado, para a equipe ver a evolução da dor num relance e agir antes de o quadro escalar.

Perguntas frequentes

A escala de dor da CSU é gratuita?

Sim. A Escala de Dor Aguda Canina foi desenvolvida no Hospital Veterinário da Colorado State University e é distribuída gratuitamente para uso clínico, com crédito aos autores (Hellyer, Uhrig e Robinson).

A partir de que escore devo reforçar a analgesia?

A escala sugere reavaliar o plano analgésico a partir do escore 2 (dor leve a moderada) e reforça essa recomendação nos escores 3 e 4. O escore é apoio à decisão — a conduta final é do médico-veterinário responsável, considerando o paciente e o procedimento.

Qual a diferença entre a escala CSU e a escala de Glasgow (CMPS-SF)?

A CMPS-SF (Glasgow) é um instrumento composto e validado, com pontuação por domínios, mas de uso comercial licenciado. A escala CSU é descritiva, ilustrada e gratuita, pensada para avaliação visual rápida à beira do leito. Muitas clínicas usam a CSU pela facilidade de padronizar a equipe sem custo de licença.

Preciso repetir a avaliação quantas vezes?

Não há um número fixo: a recomendação é pontuar de forma seriada no pós-operatório, sempre com o animal desperto, em intervalos definidos pelo protocolo da clínica e pela intensidade do procedimento. O objetivo é acompanhar a evolução, não obter um número isolado.

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Sobre o autor: Dr. Anderson Eberhardt Assumpção é médico-veterinário graduado pela UFRGS, com residências em Clínica e Cirurgia de Pequenos Animais e em Cirurgia e Anestesiologia pela ULBRA, mestre em Ciências da Saúde pela UNISUL, professor de Medicina Veterinária na UNISUL (2013–2022) e do curso de pós-graduação em Anestesiologia do IBMVET. CRMV-SC 7179. Colaborador técnico do EasyVet.

Fonte: Hellyer PW, Uhrig SR, Robinson NG. Canine Acute Pain Scale. Colorado State University Veterinary Teaching Hospital, 2006.